Advogado vê crime de responsabilidade de Bolsonaro, mas não crê em impeachment

Celso Vilardi, professor de direito penal da FGV e advogado criminalista, em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado (23), afirmou que a divulgação do vídeo da reunião ministerial de Bolsonaro “alterou muito pouco” o quadro político.

De acordo com ele, ficou provada a interferência do presidente na Polícia Federal mencionada pelo ex-ministro Sergio Moro. “O resto, foi feito barulho e sensacionalismo, mas não traz outras coisas a não ser um clima de terceira categoria e linguagem chula.”

Vilardi crê que não havia necessidade da gravação ser divulgada na íntegra. “O que todos deveriam conhecer é a parte que toca a investigação. Existem outros trechos que talvez merecessem divulgação, como xingamentos a ministros do STF, que podem consistir crime. Podem demandar investigação. O resto, não era necessário.”

A respeito da repercussão do vídeo para o futuro de Bolsonaro, o advogado foi taxativo: “Existe o campo do crime de responsabilidade e do crime comum. (…) Acho que o vídeo não traz prova concreta para crime comum. No que diz respeito a esta fala, o que se comprova é que o presidente tinha um inconformismo com a PF, queria retirar seu chefe e o fez, o que confirma o que disse o ex-ministro Moro.”

Ele explica que a lei do crime de responsabilidade é “muito antiga” e praticamente tudo pode ser enquadrado nela. Na visão dele, Bolsonaro “Preenche o requisito [de crime de responsabilidade] para ser analisado pelo Congresso”, no entanto, ele analisou que “parece não haver clima para isso e pode não dar em nada.”

“Está configurado um ilícito, de responsabilidade, e depende do Congresso [levar a investigação adiante ou não]”, completou.