Pandemia provoca redução ou paralisação da produção de 65% das indústrias

Os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus provocaram redução ou paralisação de 65% das empresas de médio e grande portes. É o que aponta o estudo “Inovação na indústria”, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao instituto FSB Pesquisa. O levantamento, realizado entre os dias 18 e 26 de junho com 402 companhias, indicou ainda que 69% delas perderam faturamento. As restrições tecnológicas e a falta de soluções inovadoras explicam grande parte do impacto negativo sofrido pelo setor. “A maioria das empresas foi afetada ou muito afetada pela pandemia — tanto em relação aos negócios, quanto à produção. Neste sentido, 83% das companhias declararam que precisarão de mais inovação para crescer ou sobreviver no mundo pós-pandemia”, afirma Gianna Cardoso Sagazio, diretora de inovação da CNI, em entrevista à Jovem Pan.

De acordo com Sagazio, as soluções inovadoras serão decisivas para que o país minimize os prejuízos sociais e econômicos a curto prazo e, a longo prazo, retome o crescimento, adquira novas tecnologias e alavanque a indústria nacional. “A inovação aberta é necessária não apenas para as empresas, mas também para a economia de todo o país. As indústrias que investem nesta ferramenta obtêm retorno financeiro e estratégico, geram empregos de qualidade, aumentam a competitividade do setor e, desta forma, impulsionam a indústria nacional no mercado global”, diz.

A recessão e seus reflexos no setor industrial evidenciam a necessidade de mudança. Entre as empresas consultadas, 68% afirmam que modificaram de alguma forma seu processo produtivo; no entanto, apenas 56% delas consideram ter inovado, de fato, após a mudança. Falta de recursos, de informação e pessoal qualificado configuram os principais entraves que atrasam as soluções inovadoras nas companhias. 

Acordo estratégico

Visando diminuir tais limitações e impulsionar a cultura da inovação entre as indústrias brasileiras, a CNI anuncia nesta quarta-feira (01) um acordo estratégico com a SOSA, plataforma israelense de atuação global em inovação aberta. A parceria inaugura um processo de engajamento e colaboração com as tecnologias 4.0 em desenvolvimento no exterior ao possibilitar que indústrias e startups nacionais acessem os ecossistemas de tecnologia da SOSA em Nova York e Tel Aviv. As empresas interessadas no programa participarão de workshops, eventos técnicos, atividades monitoradas, demonstrações exclusivas, relatórios especiais e atualizações sobre as últimas tendências da tecnologia global. Os eventos têm como objetivo aumentar o acesso à informação e aprimorar a vantagem competitiva da indústria brasileira. 

“A união entre a CNI e a SOSA ampliará a presença nacional na esfera da inovação. É fundamental que o Brasil fortaleça sua indústria e, para isso, é preciso que haja maior investimento em informação. Não vamos superar a crise se não tivermos um sistema interligado com articulação entre o governo e o setor industrial em busca do mesmo objetivo, o desenvolvimento”, conclui Sagazio.