Teste rápido de sangue que mostra quem está com Covid pode ajudar na reabertura, diz pesquisador brasileiro


Atualmente, teste de sangue mostram quem já desenvolveu anticorpos, após o auge da infecção passar. Pesquisa desenvolvida na Austrália inova ao apontar em 20 minutos se paciente tem o coronavírus ativo no corpo, sem depender de testes moleculares mais complexos e demorados. Pesquisador brasileiro explica novo exame que detecta a Covid-19 em 20 minutos
O pesquisador brasileiro, Rodrigo Curvello, integra um grupo de cientistas que desenvolveu uma nova técnica de teste de sangue que é capaz de identificar a presença ativa do Sars-Cov-2 em 20 minutos. Ele acredita que o teste rápido pode ajudar no processo de reabertura comercial após a epidemia de Covid-19.
“Nós acreditamos sim que esse teste auxilie na reabertura comercial, porque para fazê-lo, não precisa de muitas coisas”, disse Curvello. “Nós não criamos uma nova tecnologia, nós basicamente modificamos um teste que já existe em bancos de sangue de hospitais.”
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Atualmente, os chamados testes rápidos, baseados na análise de uma gota de sangue em dispositivos semelhantes aos usados nos testes de glicemia, só registram se o paciente já gerou anticorpos (IgG e IgM). Os testes que mostram a presença ativa do novo coronavírus no corpo são aos do tipo molecular, RT-PCR, mais demorados e menos acessíveis.
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A proposta dos pesquisadores é oferecer ao mercado uma solução intermediária, mais rápida do que as atuais.
Do tipo sanguíneo à Covid-19
Rodrigo Curvello explicou que é o mesmo tipo de exame feito para identificar o tipo sanguíneo dos pacientes, e por isso, tanto o maquinário como os materiais e reagentes são comuns nos centros de saúde.
“É o mesmo teste, com uma pequena diferença, em um reagente específico adicionado para dizer que você está positivo ou negativo para o coronavírus” disse ele em entrevista à GloboNews.
Curvello (centro) e os outros integrantes da equipe de pesquisa da Universidade Monash, em Melbourne, na Austrália
Universidade Monash/Divulgação/Reuters
Curvello comentou a capacidade de se testar em massa, porque, segundo o pesquisador, em apenas uma hora ao menos 700 pessoas podem ser testadas. Mas ele ressaltou que ainda é necessário aumentar os estudos para verificar a confiabilidade do exame em mais pessoas.
“Nosso trabalho, neste momento, se preocupou em provar o conceito – é um jargão na ciência, que nós temos que provar que nossa hipótese é confiável”, disse o cientistas. “Nós provamos que realmente o teste funciona. Nos obtivemos 100% de positivos quando era para ser positivo, e conseguimos também 100% de negativos quando era para ser negativo.”
Menos de 20 minutos
Os pesquisadores da Universidade Monash disseram que o teste pode determinar se a pessoa está infectada no momento e se já teve Covid-19 no passado. Além de Curvello, a equipe da universidade tem outra brasileira, a doutoranda Diana Alves.
“Nós testamos em baixa escala e todos os testes comprovaram a presença ou a ausência do vírus”, destaca Diana Alves, doutoranda na Universidade de Monash.
O artigo publicado na sexta-feira (17) pela revista ACS Sensors defendeu que entre as aplicações a curto prazo do exame, estão a rápida identificação de casos e rastreamento de contatos. A rapidez na testagem, é apontada por especialistas como a chave para controlar epidemia de Covid-19.
A equipe de pesquisa foi liderada pelo BioPRIA e pelo Departamento de Engenharia Química da Universidade Monash, incluindo pesquisadores do Centro de Excelência ARC em Ciência Convergente BioNano e Tecnologia (CBNS).
O teste utiliza 25 microlitros de plasma de amostras de sangue para procurar aglutinação ou um agrupamento de glóbulos vermelhos que o coronavírus causa.
Cientistas integrantes da equipe liderada pela Universidade Monash em Melbourne, na Austrália
Departamento de Engenharia Química da Universidade Monash/Divulgação/Reuters
Enquanto o teste atual de swab (cotonete) é usado para identificar pessoas infectadas com o coronavírus, o ensaio de aglutinação — ou análise para detectar a presença e a quantidade de uma substância no sangue — também pode determinar se alguém foi infectado recentemente, após a infecção ter sido curada, eles disseram.
Centenas de amostras podem ser testadas a cada hora, disseram os pesquisadores, e eles esperam que ele também possa ser usado para detectar um aumento de anticorpos criados em resposta à vacinação para ajudar nos ensaios clínicos.
Uma patente para a inovação foi registrada e os pesquisadores estão buscando apoio comercial e do governo para aumentar a produção.
“Quando a gente é criança, a gente quer fazer a diferença no mundo. E a gente não sabe como. Por isso, eu escolhi ser cientista, escolhi a ciência. Como esse teste é rápido, ele é mais barato, nós podemos atingir o nosso país, que é o Brasil, e outros países”, afirma Diana.
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