Combinar distanciamento social, máscaras e higiene das mãos é melhor estratégia para combater Covid-19, mostra estudo


Estratégia mais eficaz incluiu tanto medidas adotadas individualmente quanto o isolamento imposto, mostra a pesquisa, publicada nesta terça (21) na revista científica ‘Plos’. Métodos já eram recomendados pela OMS e por especialistas ao redor do mundo. Estudantes voltam às aulas com máscaras e escudos faciais em Rangun, Mianmar, para se protegerem contra a Covid-19 no dia de reabertura das escolas públicas, nesta terça (21).
Sai Aung Main / AFP
Combinar o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene das mãos é melhor estratégia para combater a Covid-19, mostra um estudo publicado nesta terça-feira (21) na revista científica “Plos”.
Os métodos já eram recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por especialistas ao redor do mundo para diminuir a contaminação pela doença, que já matou mais de 80 mil pessoas no Brasil.
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No estudo, os pesquisadores desenvolveram um modelo computacional da disseminação da Covid-19 com base em informações sobre a epidemiologia da doença. Eles usaram o modelo para estudar o efeito previsto de várias medidas de prevenção no número e época de ocorrência dos casos de coronavírus.
Os cientistas, do hospital afiliado à Universidade de Utrecht, na Holanda, perceberam os seguintes cenários:
se a população se torna rapidamente consciente do coronavírus e da eficácia das medidas de prevenção, as chamadas “medidas autoimpostas” – como distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos – podem tanto diminuir como atrasar o “pico” do número de casos;
se a eficácia dessas medidas passa dos 50%, é possível evitar uma grande epidemia;
se as medidas autoimpostas demoram de ser implementadas, entretanto, elas ainda podem reduzir o número de casos, mas não atrasam o pico;
a implementação antecipada do distanciamento social, imposto por governos, conseguiu atrasar, mas não reduziu o pico da epidemia da doença.
Os cientistas concluíram, então, que a combinação das medidas autoimpostas – principalmente se elas forem adotadas por uma grande parte da população – com o distanciamento social imposto pelo governo tem o potencial de tanto adiar como reduzir o pico da pandemia.
O modelo não levou em consideração a demografia de um lugar ou a diferença dos padrões de contato social entre as pessoas.
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“Enfatizamos a importância da conscientização sobre a doença no controle da epidemia e recomendamos que, além das políticas de distanciamento social, o governo e as instituições de saúde pública mobilizem as pessoas a adotar medidas autoimpostas com eficácia comprovada, a fim de enfrentar com sucesso a Covid-19”, dizem os autores.
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