Menor mortalidade por Covid-19 está associada a mais testes e eficácia de governos, aponta relatório na ‘Nature’


Pesquisa foi publicada nesta sexta-feira (24) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo. Agente de saúde testa mulher para Covid-19 em estação de trem em Arcanchon, no sudoeste da França, nesta sexta-feira (24).
Philippe Lopez / AFP
Aumentar os testes, melhorar a eficácia do governo e aumentar os leitos hospitalares pode ter o potencial de atenuar a mortalidade por Covid-19, aponta um relatório publicado nesta sexta-feira (24) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo.
O índice de mortalidade foi calculado pelo número de mortes a cada 100 casos da infecção.
“Uma questão central da pandemia da Covid-19 é por que a taxa de mortalidade varia tanto entre os países, de mais de 16% na França e na Bélgica a menos de 0,1% em Singapura e no Catar”, afirmam os pesquisadores no texto.
“Essa ampla variação implica que existem outros fatores além das características do paciente que determinam a mortalidade por Covid-19, como a resposta do governo”, argumentam os cientistas, de universidades da China e de Taiwan.
Eles analisaram dados de 169 países retirados do site da Worldometer, dos bancos de dados dos Indicadores de Governança Mundial, Indicadores de Desenvolvimento Mundial e Indicadores de Desempenho Logístico para chegar às conclusões.
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Os principais achados da pesquisa foram:
Um teste adicional feito a cada 100 pessoas foi associado a uma redução de 8% na taxa de mortalidade, mesmo após o ajuste do número de casos, da taxa de casos críticos e de vários fatores relacionados a cada país.
A ampliação dos testes pode ter servido como uma abordagem eficaz para atenuar a mortalidade quando os governos foram menos eficazes no controle de surtos ou quando havia menos leitos hospitalares.
Uma maior eficácia governamental foi associada a menores taxas de mortalidade por Covid-19. Esse indicador captura “a capacidade do governo de formular e implementar políticas sólidas e é uma dimensão essencial da boa governança”, dizem os autores.
“Por exemplo, um governo eficaz responderia à pandemia de Covid-19 proativamente, fazendo políticas para garantir o fornecimento suficiente de equipamentos de proteção individual”, continuam os pesquisadores.
“A rápida implementação de políticas eficazes de quarentena, bloqueio e triagem, bem como a prestação de bons serviços de saúde pública no gerenciamento e tratamento de pacientes com Covid-19, também exigem um governo eficaz”, destacam.
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“O estudo demonstrou que, para crises de curto prazo, como o surto de Covid-19, a eficácia do governo continua sendo crítica”, avaliaram.
Outros fatores que influenciaram em uma maior mortalidade foi o país ter uma população mais velha, menos leitos hospitalares e melhor estrutura de transportes (que pode ter acelerado a transmissão entre populações de alto risco).
Limitações
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Wolfgang Rattay/Reuters
Os pesquisadores pontuaram, entretanto, que o estudo teve algumas limitações: uma delas é que os números foram baseados nos casos relatados por cada país; problemas com esses relatos e rápidos aumentos nos números podem ter influenciado o modelo.
“No entanto, as tendências nos fatores que preveem as taxas de mortalidade podem não ter mudado”, lembram.
A análise também ficou limitada em dados de alguns países, como os de números de testes na China e de casos críticos na Nova Zelândia e na Indonésia. Além disso, os cientistas frisam que selecionaram um número limitado de fatores que potencialmente determinam a mortalidade por Covid-19 em um país.
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Outra questão é que os fatores relacionados à Covid-19 usados são de dados em nível nacional, e não relacionados a cada paciente. Se dados mundiais de pacientes individuais forem disponibilizados para análise, a previsão poderá ficar mais precisa.
Por fim, a imunidade adquirida na comunidade após a disseminação mundial da Covid-19 pode alterar a precisão da previsão. “No entanto, os resultados deste estudo ainda podem contribuir para a elaboração futura de políticas relacionadas a pandemia no nível nacional”, afirmam os cientistas.
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