Estudo da Uerj detecta presença significativa de ‘pensamentos indesejáveis’ no isolamento da quarentena


Levantamento analisou comportamento de 318 pessoas do estado do RJ durante a pandemia. Segundo especialistas, depressão e ansiedade são os principais problemas pós traumáticos da pandemia
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Um levantamento realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) aponta que mais de 50% dos entrevistados relataram pensamentos intrusivos (indesejáveis) como impacto das mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19 e a quarentena.
Pensamentos intrusivos surgem de forma espontânea na nossa mente sem necessariamente estarmos pensando em alguma coisa. São reações dos seres humanos a eventos de vida potencialmente estressantes. Eles são considerados intrusivos porque acontecem sem provocação e aparentam ser difíceis de afastar na medida em que se instalam uma primeira vez.
A pesquisa foi feita com 318 participantes, todos do estado do Rio de Janeiro, por meio de um questionário eletrônico disponibilizado entre 10 e 30 de maio.
“Os pensamentos intrusivos são sempre de natureza negativa, no momento estamos vivendo uma pandemia, um evento traumático para milhares de pessoas. Quando isso terminar, algumas pessoas irão voltar as suas vidas normais. Outras continuarão sofrendo pelos males causados pela pandemia”, afirma o professor José Augusto Hernandez, responsável pelo levantamento.
Segundo os pesquisadores, esses pensamentos causam restrição na atenção dos indivíduos afetados, prejudicando a capacidade da pessoa de responder ao mundo externo, afetando habilidades funcionais, profissionais, sociais e emocionais.
O estudo aponta que os pensamentos indesejáveis têm associação com o sofrimento psicológico. Quanto maior o nível dessa característica relatada, maior a afetividade negativa.
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“Uma das técnicas de enfrentamento desses pensamentos é tentar evitá-los com algumas distrações. Principalmente se você vive sozinho, tente programar atividades para manter sua cabeça sempre ocupada”, afirma Hernandez.
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A pesquisa também percebeu que jovens que vivem sozinhos estão mais sujeitos a depressão, ansiedade e estresse. Por outro lado, idosos, que moram com alguma companhia em casa e que possuem uma percepção de saúde positiva, tendem a ter os níveis mais baixos de pensamentos intrusivos.
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