STJD do vôlei aceita recurso e absolve Carol Solberg após grito de ‘Fora, Bolsonaro’

A jogadora de vôlei de praia, Carol Solberg, foi absolvida pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei após ser advertida por ter gritado “Fora, Bolsonaro“, durante uma entrevista ao vivo. O caso aconteceu em setembro e a sentença do STJD foi divulgada nesta segunda-feira, 16. Em julgamento na primeira instância, no dia 13 de outubro, a atleta havia sido condenada por 3 votos a 2 com base no artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – “deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição”. Os auditores tinham aplicado multa de R$ 1 mil, convertida para advertência.

Porém, nesta segunda, em novo julgamento, o Pleno do STJD derrubou a advertência pelo placar de 5 a 4. No início do julgamento, a jogadora de vôlei de praia estava perdendo por 3 a 0, antes de ser absolvida por maioria de votos. A sessão foi realizada de maneira online por causa da pandemia da Covid-19. Os auditores Eduardo Affonso de Santis Mendes de Farias Mello, Célio Salim Thomaz Junior e Vantuil Gonçalves votaram a favor de manter a advertência. Gilmar Nascimento Teixeira votou pela absolvição e foi seguido por Milton Jordão, Raquel Lima, Tamoio Athayde Marcondes e Júlia Costa. O presidente do STJD, Alexandre Beck Monguillott, votou para manter a advertência quando a maioria a favor da atleta já estava formada (5 a 3).

Censura no esporte

Depois de receber a notícia da advertência, Carol afirmou que se sentiu censurada pela decisão da primeira instância. O caso ganhou repercussão nacional e alimentou a discussão sobre declarações e manifestações de atletas sobre assuntos políticos e polêmicos durante eventos esportivos. “Eu estava muito feliz de ter ganhado o bronze e, na hora de dar minha entrevista, apesar de toda alegria ali, não consegui não pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, todas as queimadas, a Amazônia, o Pantanal, as mortes por Covid-19 e tudo mais, e me veio um grito totalmente espontâneo de tristeza e indignação por tudo o que está acontecendo”, disse Solberg, antes do julgamento, ao comentar suas declarações no evento do Circuito Brasileiro de vôlei de praia.

O julgamento de Carol Solberg foi envolvido em polêmicas desde a denúncia. Na primeira instância, houve até adiamento porque a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) pediram para participar do caso. O relator Robson Luiz Vieira rejeitou o “pedido de intervenção”. As entidades recorreram, assim como Carol, mas não obtiveram êxito. Novamente, agora pelo Pleno, as partes não foram reconhecidas como “terceiro interessado”. O caso pode servir para balizar se os atletas podem se manifestar politicamente ou não.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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