Bahia não vê crime, reintegra Ramírez e anuncia medidas antirracistas

O Bahia publicou uma carta aberta na tarde desta quinta-feira, 24, informando que os laudos da perícia contratada pelo clube não comprovam a denúncia de injúria racial feita por Gerson contra Índio Ramírez, no confronto realizado entre as equipes no último domingo, no Maracanã, válido pelo Brasileirão. Sendo assim, a agremiação nordestina anunciou que irá reintegrar o colombiano ao restante do elenco. Além disso, o Tricolor baiano também revelou que adotará algumas medidas para combater o racismo dentro da instituição e no futebol brasileiro.

“O clube entende que, mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Índio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes”, disse o clube. “O papel do Bahia é de formação e transformação, sempre preservando os direitos fundamentais e a ampla defesa. O atleta deverá ser reincorporado ao elenco tão logo os profissionais da comissão técnica e psicólogos entendam adequado”, acrescentou o comunicado. “O futebol é reflexo de uma sociedade que, quando não nega o racismo, adere a um populismo punitivista que finge resolver o problema apenas punindo o agressor. Atos de discriminação racial não são “casos isolados”, avaliou o clube baiano, que destacou seis medidas tomadas para combater a discriminação racial e outros preconceitos, incluindo uma cláusula antirracista nos contratos dos jogadores, por “entender seu papel de entidade de interesse público.”

Ainda no comunicado, o Bahia também afirmou que “seguirá acompanhando os desdobramentos que ocorrerem fora das instâncias do clube, seja na Polícia Civil ou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva”. Vale lembrar que Gerson já prestou depoimento na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro (Decradi), e que Ramírez, o técnico Mano Menezes, do Bahia, e o árbitro da partida, Flávio Rodrigues de Souza, também foram intimados a depor.

Por fim, o Bahia as seguintes medidas para combater o racismo: inclusão de cláusula antitracista, xenofóbica e homofóbica no contrato dos atletas; proposta de criação de protocolo antidiscriminatório para jogos de futebol no Brasil; implantação do projeto “Dedo na Ferida” para o elenco na pré-temporada. Não haverá jogador ou jogadora que vista a camisa do Bahia sem que tenha antes a oportunidade de obter acesso a uma imersão sobre racismo estrutural; encaminhamento junto à mesa do Conselho Deliberativo do clube para incorporação de cotas raciais nas próximas eleições; inclusão de espaço no Museu do Bahia dedicado ao combate e debate do racismo, xenofobia, sexismo e LGBTfobia e demais formas de intolerância e apoio ao projeto de lei que Cria o Dia Nacional Da Luta Contra o Racismo no Futebol.

Relembre o caso

Logo após o fim da partida entre Flamengo e Bahia, Gerson concedeu entrevista ao Premier e acusou o colombiano Índio Ramírez de ter praticado injúria racial. “Quero falar uma coisa: tenho muitos jogos como profissional e nunca vim falar nada porque nunca sofri esse preconceito. Quando tomamos um gol, o Bruno Henrique ia chutar uma bola, o Ramirez reclamou e fui falar com ele, que disse: ‘Cala a boca, negro’. Eu nunca sofri. Mas isso eu não aceito. Eu nunca falei de treinador. O Mano tem que saber respeitar as pessoas. Estou vindo falando em nome de todos os negros do Brasil”, relatou o volante ao Premiere.

Imediatamente após a partida, o Bahia demitiu o treinador Mano Menezes, mas não informou se o desligamento tinha relação com o fato do experiente técnico ter minimizado o caso. No dia seguinte, o clube nordestino afastou Índio Ramírez, esperando um desfecho das investigações. O atleta colombiano, por sua vez, se defendeu e afirmou que não proferiu qualquer insulto racista. A declaração do jogador foi feita através da TV do Bahia. Ramírez disse que “em nenhum momento foi racista com Gerson, nem com qualquer outra pessoa”. “Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e disse ao Bruno Henrique: ‘jogue rápido, por favor’, ‘vamos irmão, jogar sério’. Aí ele joga a bola para trás e o Gerson, não sei o que me fala, eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei ‘joga rápido, irmão’”, explicou.

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