Consumo de vinho segue crescendo no Brasil – e a inflação também

No acumulado até outubro, rótulos chegam a custar até 12,9% no Sul

O reajuste da bebida no país já atinge o dobro do IPCA

Quando o vinho foi colocado na cesta de produtos do IBGE para fazer parte do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial no país, temeu-se que a bebida poderia fazer o papel do tomate. O fruto é conhecido por ser um dos vilões da inflação. Com o recente aumento do grupo de alimentação e bebidas, o tomate já acumula alta de 49% no ano. O vinho parece tomar o mesmo caminho. O anunciado reajuste de preços ao consumidor – prometido pelas lojas especializadas e importadoras – acabou de apresentar a conta.

Até outubro, a bebida já atinge o dobro da inflação. Porém, no Sul – principal polo produtor do Brasil – o índice é ainda maior. Em Porto Alegre, por exemplo, a inflação do produto é de quase 13% (veja os principais indicadores por cidade, compilados pelo Cepas & Cifras, na tabela ao final deste post). Enquanto isso, Curitiba segue sendo a Meca dos vinhos baratos na região. Outra evidência é que a reabertura de bares e restaurantes a tomar o caminho da recuperação das margens – inclusive no vinho (lembrando que, pela metodologia empregada, esse item é pesquisado apenas na cidade do Rio de Janeiro).

O Brasil atingiu um crescimento de 27,8% no volume de vinho comercializado no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Ideal Consulting. No vinho fino o salto foi ainda maior: 50%. Em média, cada brasileiro consumiu 2,8 litros entre abril e junho, avanço de 72% em relação ao primeiro trimestre. E no Brasil, o supermercado é responsável por 75% da comercialização da bebida. O consumo, como se vê, segue em ascendência. E a inflação idem.

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