Venda de reservas externas é decisão do BC, afirma secretário especial

Waldery Rodrigues pede que Congresso vote LDO de 2021

O secretário recordou que, sem a votação da LDO e do Orçamento, as emendas parlamentares do próximo ano não poderão ser executadas

A venda de reservas internacionais para reduzir o endividamento público está no cardápio do governo, mas a decisão cabe ao Banco Central (BC), afirmou o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Em entrevista à imprensa, ele lembrou que o procedimento foi executado no ano passado e poderá ser repetido em 2021, caso haja intenção. Rodrigues comentou declarações dadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento fechado à imprensa de que seria possível ao governo queimar “um pouco” das reservas externas do país para diminuir a dívida bruta, que deve crescer para 96% do PIB em 2020.

“A fala do ministro entrou no contexto de uma gestão macroeconômica mais integrada [entre o Ministério da Economia e do BC] e mais bem feita, mais bem desenhada”, disse Rodrigues. “Sim, a posteriori, uma vez que o Banco Central decida tomar suas ações, há um impacto positivo [na venda de reservas], inclusive sobre o montante da dívida bruta”, acrescentou. Rodrigues lembrou que, no ano passado, o BC vendeu cerca de US$ 40 bilhões das reservas, ajudando a diminuir a dívida bruta sobre o PIB em quase 2 pontos percentuais. As devoluções antecipadas de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Tesouro ajudaram com mais 1,2 ponto no recuo. “Lançamos mão desses mecanismos em 2019 e podemos fazê-lo, dadas as intenções, em 2021. Esses são itens que entram no nosso cardápio de ações”, explicou o secretário. Ele, no entanto, lembrou que quem se expressa sobre a venda de reservas externas é o Banco Central.

O secretário deu as declarações em entrevista para explicar a revisão para baixo da projeção de déficit primário no orçamento de 2020 . Em relação a 2021, ele pediu colaboração da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda neste ano. “A Comissão Mista de Orçamento deve ser constituída agora. Trabalhamos com essa hipótese. Há incentivos para o Congresso aprovar tanto o PLDO [projeto da LDO], quanto também caminhar para aprovação do PLOA [projeto da lei orçamentária]. Iremos aguardar”, declarou Rodrigues. O secretário recordou que, sem a votação da LDO e do Orçamento, as emendas parlamentares do próximo ano não poderão ser executadas. Há várias semanas, as discussões na CMO estão paradas por causa da disputa entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e parlamentares do centrão em torno da indicação para a presidência da comissão.

Artigos Relacionados

Comentários

Compartilhar

Últimas Notícias

BC estende acordo com Fed até fim de setembro

Contrato especial de swap vigorará por mais seis meses

Marco Antonio Carbonari explica a diferença entre o vinho seco e suave

Você se considera um especialista de vinhos? Não? Pois então hoje é dia de aprender com Marco Antonio Carbonari.

Desemprego é o maior para o ano desde 2012

Porém, taxa de desocupação caiu para 13,9% no quarto trimestre

Curitiba é a única cidade da América do Sul entre as mais inteligentes do mundo

Capital paranaense foi escolhida pelo terceiro ano consecutivo

Juros para famílias e empresas sobem em janeiro

Taxas do rotativo do cartão de crédito influenciaram resultado