Investimentos na infraestrutura de SC estão abaixo do crescimento da economia

Cálculos da Fiesc apontam a necessidade de aportes da ordem de R$ 1,7 bilhão

Federação defende a concessão das rodovias

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) promoveu um debate sobre os corredores logísticos, onde se concluiu que há carência de recursos para a infraestrutura de transportes no estado. O Orçamento Geral da União previu a liberação de R$ 507 milhões em 2020, tendo sido executados 76%. No entanto, cálculos da Fiesc apontam a necessidade de investimentos da ordem de R$ 1,7 bilhão. É uma situação que se repete ano após ano, tendo em vista que na última década foram destinados à infraestrutura do estado R$ 5,2 bilhões, o que corresponde a apenas 48,3% dos R$ 10,7 bilhões previstos. Por isso, a entidade defende a concessão das rodovias, como forma de ampliar os aportes. Outro tema abordado foi o trecho litorâneo de Santa Catarina.

“Os investimentos em infraestrutura estão muito abaixo do desempenho econômico que Santa Catarina vem registrando, muito acima da média nacional”, disse Mario Cezar de Aguiar, presidente da entidade. Diante das restrições orçamentárias do governo em realizar investimentos em infraestrutura, Aguiar defendeu maior participação da iniciativa privada, por meio de concessões. “É mais barato para a sociedade pagar o pedágio em função das melhorias que serão proporcionadas do que trafegar em rodovias nas condições atuais”, afirmou. Aguiar declarou ainda que o corredor litorâneo é estratégico para o setor produtivo catarinense. “Precisamos tomar medidas paliativas e corretivas, fazer obras complementares, para que a BR-101 tenha melhores condições de trafegabilidade para os veículos e segurança para o usuário. Isso impacta nos setores industrial, de serviços, de turismo; há um grande prejuízo para Santa Catarina se nós, urgentemente, não tomarmos medidas de melhoria de fluxo na BR-101”, observou.

Egidio Martorano, secretário-executivo da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística da federação, afirmou que o eixo litorâneo está “agonizando” e deve ser foco de todos os esforços catarinenses. “Não consideramos a BR-101 uma rodovia, mas sim um corredor multimodal pela sua importância. Necessitamos resolver os entraves relacionados aos ajustes econômico-financeiro das obras que não estavam previstos nos contratos. Só o contorno [de Florianópolis] já não basta. Há muitas empresas que estão no entorno desse corredor, importantes para a corrente comercial de Santa Catarina”, lembrou.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), Ari Rabaiolli, citou estudo que a entidade realizou em parceria com a Unisul, o qual aponta elevação de 12,7% no valor do frete e de 30,4% no custo operacional das transportadoras em decorrência das restrições de trafegabilidade na BR-101. Outro levantamento, em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), revela que em 2018 havia uma demanda de R$ 54 bilhões na infraestrutura de Santa Catarina, sendo R$ 22,6 bilhões no segmento rodoviário.

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