Ratinho Junior vê o Paraná mais seguro no cenário da crise

Em entrevista ao Portal AMANHÃ, governador destaca que desde março o estado se prepara para a retomada econômica

“O Estado segue com a estratégia de ser um hub logístico e obteve financiamentos para obras públicas em rodovias estaduais”, destaca Ratinho Junior

Ao fazer um balanço de como o Paraná enfrentou a pandemia do novo coronavírus até aqui, o governador Carlos Massa Ratinho Junior afirmou que deixa um legado para a saúde pública. O ocupante do Palácio Iguaçu também revela que o estado se encontra em maior segurança no cenário da crise. O governador enfatizou, ainda, o plano de retomada econômica que começou a ser traçado em março. “O investimento previsto para obras públicas até 2022 é de R$ 4,6 bilhões em operações contratadas e a contratar, com a geração de cerca de 100 mil empregos”, projetou. Confira, a seguir, a íntegra da entrevista.

Qual foi a ação de melhor resultado que sua gestão teve no enfrentamento ao novo coronavírus no Estado?
Não se pode olhar a pandemia de forma isolada. Aqui no Paraná, nossa estratégia foi construída num tripé. Robusta estrutura hospitalar, com ampliação da capacidade de leitos, praticamente dobrando a rede que existia em 30 anos, abertura de três hospitais regionais que tiveram as suas obras antecipadas para o enfrentamento da pandemia, não adesão aos hospitais de campanha, além de uma clara opção pela testagem em larga escala e o entendimento e a colaboração dos paranaenses nas medidas de isolamento. Não falou leito de UTI, somos o segundo estado do Brasil que mais testa e por consequência permite a contenção do vírus. Isso nos coloca com maior segurança no cenário da crise. Esses foram pontos fundamentais neste processo que aqui no Estado vivemos desde março.

Qual a lacuna que fica para sua gestão ou para a próxima, visando precaver o Estado de uma nova pandemia? Que investimentos terão de ser realizados?
Não diria lacuna. O governo do Paraná investiu fortemente na estrutura hospitalar. Foram quase 1.200 leitos de UTI, equipamentos, respiradores. Este é um legado para a saúde pública. A pandemia é uma novidade, todos os gestores também aprenderam a enfrentar esta situação. A grande lacuna, evidentemente, foi a morte de paranaenses. Lamentamos profundamente cada perda. Da mesma forma, também enaltecemos o trabalho de profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, enfim, toda a equipe de saúde que se debruçou para salvar vidas, mesmo colocando em risco a sua própria saúde e segurança.

Quais são as principais ações que o Estado está tomando para uma retomada mais veloz da atividade econômica?
O governo do Paraná respondeu à crise de maneira responsável, garantindo o abastecimento de alimentos, mantendo atividades essenciais abertas e liberando crédito para a folha de pagamentos de micro e pequenas empresas por meio da Fomento Paraná e do BRDE, visando a garantia de empregos. Ao mesmo tempo, recomendando isolamento social logo no começo da pandemia, o Estado ajudou a controlar a contaminação na maioria das regiões. Também foi implementada uma série de medidas complementares para regulamentar as atividades do comércio. Para preparar a retomada, desde março criou-se um grupo técnico envolvendo mais de 200 pessoas de diversas secretarias para a construção de um amplo plano de retomada e desenvolvimento econômico até 2022. Ele foi dividido em três grupos: assuntos econômicos, de desenvolvimento social e de gestão. Parte das ações já entrou em operação. O trabalho foi feito ouvindo representantes da sociedade, para enriquecer o conteúdo. Além de ações para preservar vidas, priorizou-se a manutenção e a geração de empregos. Na área econômica, focamos no fortalecimento das atividades produtivas, na qualificação de pessoas, expansão de exportações, atração de empresas, investimentos públicos e concessão de crédito. O investimento previsto para obras públicas até 2022 é de R$ 4,6 bilhões em operações contratadas e a contratar, com a geração de cerca de 100 mil empregos.

Alguma obra em especial a destacar?
O Estado segue com a estratégia de ser um hub logístico e obteve financiamentos para obras públicas em rodovias estaduais. O plano prevê R$ 2,9 bilhões em obras rodoviárias. Também haverá revitalização do litoral, aportes em infraestrutura urbana, nos portos e investimentos estratégicos da Sanepar e da Copel, da ordem de R$ 8,3 bilhões nos próximos dois anos. Esse pacote vai gerar empregos para a população, ajudará o Paraná a atrair investidores e facilitará a integração das cadeias comerciais. Na área social, o Estado vai priorizar ações que abram mais postos de trabalho. Estão previstos R$ 364 milhões para a área de habitação, com a construção de 8 mil moradias, além de pavimentações de estradas rurais, apoio às cooperativas familiares, aquisição de equipamentos para agroindústrias e recuperação de escolas. Haverá, ainda, mudanças na gestão, com redução de custos com transportes e alugueis de imóveis.

Que setores econômicos estão mais vulneráveis, após o longo período de quarentena? Como estimulá-los? Há espaço fiscal para ações nesse sentido? Quais?
Os setores de turismo, bares e restaurantes sofreram um impacto muito forte com a pandemia e a retomada também está mais lenta do que a verificada em outros segmentos da economia no Paraná. Em setembro, pela primeira vez no ano, a maior parte das empresas paranaenses, no cálculo geral, fechou um mês com variação positiva nas vendas na comparação com o mesmo mês de 2019: 52%. Já no segmento de restaurantes, a grande maioria – 71% – fechou o mês tendo queda, comparando-se com setembro do ano passado. Por isso o governo do Estado estuda medidas de apoio para o turismo e a gastronomia regionais, com incentivos que visam o aumento do consumo interno nessas áreas. As medidas visam estimular o turismo regional de uma forma inédita e inovadora.

Onde falha e onde acerta o debate entre governo e parlamento em torno da reforma tributária? Qual medida se mostra mais necessária, ou qual lhe preocupa mais?
O imbróglio em torno do debate da reforma tributária não é recente. É sabido que o país precisa, urgentemente, avançar nesta temática, mas para que haja a concretude da reforma, é preciso aparar arestas importantes e estabelecer um consenso sobre o assunto. Atualmente, existem algumas propostas de reforma tributária que tramitam no congresso e que tratam de criar um tributo sobre valor agregado. Essas propostas visam melhorar o ambiente de negócios, reduzir complexidade tributária, dentre outras temáticas. Mas, apesar de objetivos e ponto central semelhantes, elas apresentam diferenças importantes em termos de escopo. A proposta defendida pelos secretários de fazenda dos Estados corresponde à proposta do Comsefaz [Comitê Nacional de Secretários da Fazenda, Finanças, Receitas ou Tributação dos Estados e Distrito Federal]. Ela consiste em uma emenda à PEC 45/19 e prevê a unificação de cinco tributos que incidem sobre o consumo de bens e serviços em um único imposto sobre valor agregado. Além disso, teria um imposto seletivo incidente sobre alguns bens, cujo consumo pretende-se desestimular. É um caminho longo, mas necessário para permitir que a economia nacional volte a crescer.

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