Thais Semer deixa BR Media e aposta em nova fase da creator economy com a Creator Ads

Bianca Corvani Por Bianca Corvani
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Executiva assume como VP of Sales Brasil da Creator Ads em um momento no qual inteligência artificial, automação e mensuração ganham espaço nas estratégias de marketing de influência e mídia de creators.

O mercado brasileiro de marketing de influência inicia uma nova etapa de transformação com a saída de Thais Semer da BR Media Group. Depois de quase uma década atuando no desenvolvimento e na profissionalização desse segmento, a executiva passa a integrar a Creator Ads como VP of Sales Brasil, assumindo a missão de ampliar a atuação comercial de uma plataforma voltada à compra de mídia de creators em escala.

A mudança acontece em um momento no qual grandes anunciantes já trabalham simultaneamente com centenas ou até milhares de criadores de conteúdo. O crescimento desse modelo trouxe, entretanto, um problema operacional: selecionar perfis, avaliar segurança para as marcas, aprovar conteúdos, administrar contratos e pagamentos, acompanhar entregas e medir os resultados das campanhas ainda são tarefas que podem exigir grandes equipes e diversos processos manuais.

A Creator Ads pretende atuar justamente nesse espaço. A proposta é utilizar tecnologia e inteligência artificial para integrar diferentes etapas da operação de campanhas com criadores, transformando uma atividade historicamente dependente de trabalho manual em uma infraestrutura capaz de funcionar em uma escala semelhante à encontrada em outros canais de mídia digital.

Creator economy entra em uma nova fase

Durante os últimos anos, uma das principais preocupações do mercado foi demonstrar que influenciadores e criadores poderiam gerar resultados relevantes para as marcas. Com o amadurecimento da creator economy, essa discussão começa a mudar. O desafio agora passa pela capacidade de administrar um número muito maior de criadores sem aumentar proporcionalmente a quantidade de profissionais envolvidos na operação.

Essa transformação também modifica o papel dos creators dentro das estratégias de marketing. Em vez de aparecerem apenas em ações pontuais ou publicações patrocinadas isoladas, eles podem ser incorporados de maneira mais ampla aos planos de mídia das empresas. Isso aumenta a necessidade de métricas, processos padronizados, mecanismos de brand safety e ferramentas que permitam acompanhar grandes volumes de campanhas simultaneamente.

A chegada de Thais Semer à Creator Ads está diretamente relacionada a essa mudança. A executiva avalia que o mercado já demonstrou o valor dos criadores, enquanto o próximo desafio será desenvolver a infraestrutura necessária para permitir que marcas trabalhem com eles em uma escala significativamente maior.

Inteligência artificial ganha espaço no marketing de influência

A inteligência artificial aparece como uma das tecnologias que podem acelerar essa transformação. A utilização de sistemas automatizados permite analisar grandes quantidades de perfis, identificar características de audiência e auxiliar na seleção de creators potencialmente compatíveis com determinada campanha.

A automação também pode ser aplicada a outras partes do processo. Campanhas com centenas ou milhares de participantes exigem acompanhamento constante de conteúdos, prazos, contratos, pagamentos e resultados. Quando essas atividades dependem exclusivamente de pessoas, aumentar a escala significa também ampliar consideravelmente as estruturas operacionais.

É justamente essa relação que as plataformas tecnológicas procuram alterar. A Creator Ads reúne recursos destinados à seleção de criadores, administração de campanhas, brand safety, aprovação de conteúdo, contratos, pagamentos, mensuração e amplificação. A inteligência artificial é empregada para reduzir etapas operacionais que anteriormente dependiam principalmente de processos manuais.

Creators passam a disputar espaço no planejamento de mídia

Outro ponto importante é a aproximação entre creator economy e mídia tradicional. Durante muito tempo, marketing de influência foi administrado como uma atividade relativamente separada das principais decisões de mídia das empresas. Com a expansão das redes sociais e da economia dos criadores, essa fronteira tornou-se menos clara.

Quando uma empresa passa a administrar milhares de creators, entretanto, surge a necessidade de estabelecer processos comparáveis aos utilizados em outras modalidades de publicidade digital. Isso significa acompanhar alcance, eficiência, segurança, custos e resultados das campanhas de maneira estruturada.

Nesse cenário, creators deixam progressivamente de representar apenas uma estratégia complementar de comunicação e passam a integrar uma parcela maior do investimento publicitário. A consequência é uma pressão crescente para que o setor ofereça ferramentas de mensuração e infraestrutura capazes de justificar investimentos em escala.

Tecnologia pode transformar a operação das agências

A expansão dessas plataformas também pode modificar o funcionamento das próprias agências de publicidade e marketing de influência. Atividades repetitivas ou que envolvem análise de grandes volumes de informações podem ser parcialmente automatizadas, permitindo que profissionais concentrem esforços em estratégia, relacionamento, criação e decisões de maior complexidade.

Isso não significa necessariamente eliminar a participação humana. Campanhas envolvendo creators dependem de contexto cultural, criatividade, relacionamento e avaliação da adequação entre marca e influenciador. A tecnologia funciona principalmente como uma camada de infraestrutura para reduzir o peso operacional das campanhas de grande escala.

A movimentação de Thais Semer evidencia justamente essa transição. Depois de participar da consolidação de um mercado baseado principalmente no relacionamento entre marcas, agências e influenciadores, a executiva passa a atuar em uma empresa cuja proposta é desenvolver infraestrutura tecnológica para a próxima etapa desse ecossistema.

Creator economy busca escala, eficiência e mensuração

O avanço da inteligência artificial deve aprofundar a integração entre tecnologia publicitária e marketing de influência. Ferramentas capazes de selecionar perfis, acompanhar campanhas e organizar informações podem permitir que marcas aumentem significativamente o número de creators utilizados sem reproduzir o mesmo crescimento em custos operacionais.

Ao mesmo tempo, mensuração e brand safety deverão permanecer entre os principais desafios. Quanto maior o número de criadores envolvidos em uma campanha, maior também a necessidade de garantir que os conteúdos estejam alinhados às orientações das empresas e que os resultados possam ser comparados com outros investimentos em publicidade.

A mudança de Thais Semer da BR Media para a Creator Ads representa, portanto, mais do que uma movimentação executiva dentro do mercado brasileiro de comunicação. Ela acompanha uma transformação mais ampla da creator economy, que procura avançar de um modelo fortemente baseado em operações manuais para uma estrutura apoiada por inteligência artificial, automação, dados e mensuração.

O próximo estágio desse mercado deverá ser definido pela capacidade das plataformas, agências e marcas de combinar a autenticidade e o poder de influência dos criadores com a eficiência tecnológica exigida pela publicidade em grande escala. Nesse cenário, a creator economy tende a ficar cada vez mais próxima do centro das estratégias de mídia digital das empresas.

Fonte principal: Exame — “Thais Semer deixa BR Media para construir próxima fase da creator economy no Creator Ads”. A reportagem foi publicada em 31/08/2026. (Exame)

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