Marcas apostam em dados próprios enquanto GEO ganha espaço ao lado do SEO tradicional
O comportamento de quem pesquisa na internet mudou de forma acentuada nos últimos meses, e o impacto já aparece nos números que orientam o trabalho de agências, times de marketing e donos de pequenos negócios. Levantamentos recentes mostram que a maior parte das buscas feitas no Google não termina mais em um clique, o que obriga marcas a repensar como medem resultado e como constroem presença digital em um ambiente cada vez mais dominado por respostas prontas geradas por inteligência artificial.
A busca sem clique já é maioria
Segundo dado divulgado pela SparkToro, referente aos quatro primeiros meses de 2026, 68,01% das buscas feitas no Google terminaram sem nenhum clique, seja em um resultado orgânico, em um anúncio ou em qualquer outro destino. Isso significa que menos de um terço das pesquisas ainda leva o usuário a sair da página de resultados, um movimento puxado por recursos como AI Overviews, painéis de conhecimento, respostas instantâneas e resultados em vídeo.
Isso não significa que o trabalho de otimização para buscadores tenha perdido relevância. O que muda é o papel dessa otimização. Durante anos, o sucesso de uma estratégia de SEO era medido quase sempre pelo volume de tráfego gerado. Agora, uma marca pode influenciar a decisão de compra de alguém mesmo sem receber a visita no site, o que exige outras formas de acompanhar retorno, como crescimento de buscas pelo nome da marca, geração de leads qualificados e presença em citações feitas por ferramentas de inteligência artificial.
O tráfego de robôs já supera o de humanos
Outro dado que chamou atenção do setor veio de um relatório da Semrush, que usou informações da Cloudflare para mostrar que robôs, incluindo agentes de IA, crawlers e ferramentas automatizadas, já respondem por cerca de 57% do tráfego registrado em páginas web. Até pouco tempo, sites eram pensados majoritariamente para visitantes humanos e para os mecanismos tradicionais de busca. Agora, esse público inclui também agentes que pesquisam produtos, comparam preços e respondem perguntas em nome de um usuário final.
Na prática, isso reforça a importância de manter conteúdos organizados, com informações claras e acessíveis também para sistemas automatizados, e não apenas para pessoas. Descrições escondidas em imagens, documentos complexos ou textos vagos tendem a ficar mais difíceis de interpretar tanto por rastreadores quanto por ferramentas de IA generativa, o que pode reduzir a visibilidade da marca nesses ambientes.
Aparecer como fonte não garante ser lembrado
Um estudo da Semrush conduzido pelo analista Kevin Indig identificou o fenômeno batizado de “citações fantasmas”: casos em que uma ferramenta de IA usa o conteúdo de um site como base para sua resposta, mas não menciona o nome da marca. A pesquisa apontou que 62% das citações analisadas se encaixam nesse padrão, o que quer dizer que uma empresa pode estar ajudando a responder à pergunta do consumidor sem ganhar reconhecimento por isso.
O comportamento também varia entre plataformas. Ferramentas como o ChatGPT apresentaram alta taxa de citação, mas baixa menção à marca, enquanto o Gemini tende a citar o nome da empresa com mais frequência, ainda que cite menos fontes. Para quem produz conteúdo, o recado é que só aparecer como referência técnica não é suficiente: é preciso associar de forma explícita a expertise ao nome da marca, para que ela seja de fato lembrada pelo público.
Plataformas sociais também endurecem regras
A pressão por conteúdo mais autêntico não vem apenas dos buscadores. O LinkedIn anunciou que passou a reduzir o alcance de publicações consideradas genéricas ou produzidas em série por inteligência artificial, prática apelidada por usuários de “AI slop”. A rede afirma que ferramentas de IA continuam bem-vindas para refinar textos, mas que posts e comentários precisam refletir a experiência e o ponto de vista de uma pessoa real.
Pesquisa conduzida por Harris Poll, 4As e Infillion, divulgada pela publicação Marketing Brew, reforça esse cenário: 78% dos consumidores entrevistados disseram considerar anúncios feitos com IA menos autênticos, 73% afirmaram confiar menos em peças que suspeitam ter sido geradas dessa forma, e 63% se disseram menos propensos a comprar de marcas associadas a publicidade produzida por inteligência artificial.
O que muda no dia a dia de quem faz marketing
Diante desse cenário, consultorias como a RD Station e a Kantar já apontam, em seus levantamentos de tendências para 2026, que a otimização para buscadores tradicionais vai dividir espaço com o chamado Generative Engine Optimization, ou GEO, voltado especificamente para aparecer bem nas respostas de ferramentas de inteligência artificial. Isso exige nova estrutura de conteúdo, dados de qualidade e reputação digital consistente, além de manter o WhatsApp e outros canais conversacionais como parte central da relação com o consumidor.
A inteligência artificial segue sendo tratada pelo mercado como um recurso capaz de acelerar processos, da criação de variações de anúncios à qualificação de leads dentro de sistemas de CRM. O desafio, segundo especialistas ouvidos por veículos do setor, é evitar que ela substitua o julgamento humano nas decisões mais importantes de uma marca, como direção criativa, tom de voz e construção de confiança junto ao público.
Fontes:
EisnerAmper | SparkToro | Semrush | Meio & Mensagem | Meio & Mensagem