O IAB Brasil lançou, em 15 de outubro de 2026, uma nova edição do Guia de Uso de Inteligência Artificial na Publicidade Digital. A iniciativa é acompanhada pelo Manual de Conformidade e Boas Práticas sobre Inteligência Artificial na Publicidade Digital, criado para orientar empresas, agências, veículos e profissionais que utilizam recursos de IA em campanhas online.
Segundo reportagem do Propmark, os documentos foram estruturados para acompanhar diferentes momentos da operação publicitária. A proposta inclui desde a pesquisa e o planejamento até a criação, a produção, a gestão de mídia, a otimização, a medição e a atribuição de resultados.
Conteúdo será dividido por etapas das campanhas
A nova edição do guia será organizada em cinco volumes independentes. O primeiro reúne introdução e conceitos; o segundo trata de pesquisa e planejamento; o terceiro aborda criação e produção; o quarto é dedicado a mídia e otimização; e o quinto concentra orientações sobre medição e atribuição.
Essa divisão permite que o conteúdo seja consultado de acordo com a função desempenhada por cada profissional ou equipe. Uma agência envolvida na produção de peças, por exemplo, poderá buscar referências no volume dedicado à criação. Já as áreas responsáveis por mídia e performance terão acesso a uma seção específica sobre otimização, enquanto os times de análise poderão recorrer ao conteúdo voltado à mensuração.
Para o mercado de publicidade digital, a organização por fases também ajuda a separar responsabilidades. O uso de inteligência artificial pode ocorrer em várias partes de uma campanha, mas os critérios aplicados em uma etapa não substituem a avaliação necessária em outra. Uma ferramenta usada no planejamento, na geração de conteúdo ou na análise de resultados exige cuidados próprios, de acordo com o tipo de atividade realizada.
Manual aborda riscos de conformidade e reputação
O manual complementar amplia a discussão para os riscos associados à adoção de inteligência artificial na publicidade. Entre os temas incluídos estão direitos autorais, privacidade, transparência, segurança de marca, deepfakes, manipulação de conteúdos, desinformação e tratamento de dados pessoais.
Esses pontos afetam diretamente anunciantes, agências e veículos porque envolvem tanto a origem dos conteúdos quanto a forma como dados e mensagens são utilizados. A atenção a direitos autorais, por exemplo, está relacionada à produção e ao uso de materiais. Já a privacidade e o tratamento de dados pessoais dizem respeito às informações empregadas em processos de segmentação, personalização, análise e mensuração.
A segurança de marca aparece como outro eixo relevante. Em ambientes digitais, a preocupação não se limita ao desempenho de uma campanha, mas também ao contexto em que anúncios, imagens e mensagens são exibidos. A menção a deepfakes, manipulação de conteúdos e desinformação reforça a necessidade de avaliar os riscos reputacionais associados a peças produzidas ou modificadas com o auxílio de sistemas de IA.
Supervisão humana continua entre as recomendações
A proposta dos materiais não é tratar a inteligência artificial como substituta automática das equipes envolvidas na publicidade. O guia e o manual defendem que a expansão do uso da tecnologia seja acompanhada por supervisão, curadoria e julgamento humano.
Na prática, isso significa que a utilização de ferramentas automatizadas não encerra a responsabilidade de quem planeja, aprova, publica ou mede uma campanha. A revisão humana permanece necessária para verificar se o conteúdo está adequado ao objetivo da ação, se respeita direitos e regras de privacidade e se não cria riscos para a marca ou para o público.
Esse cuidado também se aplica às decisões tomadas ao longo da operação. A inteligência artificial pode apoiar tarefas de pesquisa, criação, mídia e análise, mas a escolha final sobre como uma campanha será conduzida depende de critérios definidos pelas organizações e pelos profissionais responsáveis. A orientação busca, portanto, combinar ganhos de eficiência com controle sobre qualidade, transparência e conformidade.
Referência para anunciantes e profissionais digitais
O lançamento ocorre em um momento em que a inteligência artificial passou a integrar diferentes atividades da publicidade digital, da elaboração de conteúdos à otimização de campanhas e à interpretação de resultados. Para anunciantes, agências e veículos, a existência de referências específicas para o setor pode ajudar na criação de procedimentos internos e na definição de limites para o uso das ferramentas.
Ao separar os assuntos em cinco volumes e acrescentar um manual de boas práticas, o IAB Brasil oferece uma estrutura de consulta voltada a necessidades distintas dentro das equipes. O conteúdo pode servir tanto para profissionais que estão iniciando o uso de IA quanto para organizações que já empregam a tecnologia em processos de marketing, mídia e performance.
O principal direcionamento apresentado é que a adoção da inteligência artificial na publicidade digital avance com responsabilidade. Isso envolve reconhecer as oportunidades da tecnologia, mas também estabelecer mecanismos de revisão, proteção de dados, transparência e segurança de marca. Para o mercado brasileiro, os documentos passam a funcionar como uma referência setorial sobre esses desafios.